Crítica | O Menino que Queria Ser Rei

Compreensivamente, criou-se muito ranço em torno da mera ideia de um reboot, sobretudo de uma história já muito contada. Tivemos, há não muito tempo, uma insossa versão da lenda de Robin Hood e, no ano anterior a esta, um estranho longa de Guy Ritchie sobre Rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda. Pois bem, acontece que entre diversos reboots, ao menos um é capaz de não só justificar sua existência como também se distinguir dentro da linha de produção.

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É o caso de O Menino que Queria Ser Rei que adapta a lenda de Arthur e Excalibur como uma aventura infantil em contexto pós-Brexit. A princípio, é uma ideia bizarra misturar fantasia lúdica com política, mas contando com o roteiro e a direção de joe que há oito anos fez seu ótimo primeiro longa Ataque ao Prédio, o resultado chega a ser encantador em mais de um sentido da palavra. Este é facilmente outro ponto alto para o cinema infanto-juvenil britânico recente.

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Nesta versão, ambientada em um mundo “fortemente dividido” e no qual “os homens se tornaram fracos”, o garoto Alex e seu amigo Bedders se veem como os únicos que podem salvar a Bretanha de uma antiga ameaça: a feiticeira Morgana , que ressurge em todo tempo de crise e é capaz de comandar um exército de mortos-vivos. Porém Alex, por ser descendente de Arthur, pode empunhar a mítica espada Excalibur, única arma capaz de ferir a feiticeira.
Ainda mais impressionante que Cornish, que em Ataque ao Prédio chutou o pau da barraca com violência explícita, drogas e muitos palavrões, pareça tão em casa com um projeto feito especialmente – mas não exclusivamente – para crianças. Neste caso, o fato de ser dedicado a esse público-alvo condiz bastante com as posições que o longa toma em relação a questões pertinentes, não só sobre política como também aceitação e coletividade. A esperança para proteger mas também transformar um mundo induro e injusto está nas crianças.

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e certa forma, a manifestação desse mundo mágico ainda foi atualizada para o raciocínio das crianças mais habituadas aos videogames. A maioria das situações de combate que ocorrem ao longo do filme se comportam de uma forma gamificada, onde os heróis são encurralados e devem derrotar uma certa quantidade de oponentes para retornar ao mundo comum – é como Devil May Cry para crianças. Isso, aliás, não é um demérito para o filme, pois é algo que sempre ocorre de forma orgânica à trama.

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